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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026

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Após chuvas, besouros reaparecem em Serrinha e especialista explica fenômeno

Muitos insetos estão sendo vistos nas ruas e nas residências após as chuvas do final de semana.

Após chuvas, besouros reaparecem em Serrinha e especialista explica fenômeno
Foto: Thiego Souza/Info!
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Moradores de Serrinha voltaram a registrar, nos últimos dias, o surgimento de um besouro da espécie Neoaulacoryssus speciosus, principalmente após as chuvas que atingiram o município no último final semana. A presença em grande quantidade chamou atenção nas áreas urbanas, mas, segundo especialistas, o fenômeno é natural e típico do clima do semiárido baiano.

Em entrevista ao Info!, a bióloga Jackeline Lisboa explicou que o comportamento está diretamente ligado às características climáticas da região. “É do conhecimento de todos que a região que moramos, no semiárido Baiano, é marcada por chuvas irregulares e concentradas, intercaladas com longos períodos de estiagem. E esses fatores climáticos e variações na disponibilidade de recursos hídricos afetam diretamente as populações de fauna e flora”, destacou.

Segundo ela, muitos insetos desenvolvem estratégias de sobrevivência para enfrentar a seca. “Durante a estiagem, diversas espécies permanecem em estado de dormência, na forma de ovos, pupas ou larvas resistentes. Quando as chuvas começam a surgir e o solo fica mais rico em umidade e matéria orgânica, as populações de insetos começam a ‘explodir’”, explicou.

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A especialista ressalta que esse aumento repentino não representa risco direto à população. “Esse fenômeno é particularmente visível em grupos como formigas aladas, mosquitos, besouros e outros, que não possuem ‘venenos’”, afirmou. No caso do Neoaulacoryssus speciosus, trata-se de um besouro que não é agressivo, não transmite doenças e não oferece perigo às pessoas, apesar do incômodo causado pela grande quantidade e pela atração à luz das residências.

Sobre possíveis prejuízos, Jackeline tranquiliza: “De forma alguma, o aparecimento desses insetos após as chuvas exerce um papel ecológico fundamental. Eles contribuem para a polinização, ciclagem de nutrientes, controle biológico e base alimentar para aves, anfíbios e pequenos mamíferos.” Ela reconhece que o volume pode causar desconforto, “sujam” ambientes e dificultam algumas práticas agroecológicas, mas reforça que “os benefícios compensam”.

Por outro lado, a bióloga faz um alerta importante em relação à saúde pública. “Outra questão relevante é a atenção redobrada em relação à saúde, as chuvas causam também o aumento de insetos vetores, como mosquitos transmissores de doenças. Então, é necessário o cuidado com água parada e armazenada de forma incorreta.”

Em síntese, ela conclui que, no semiárido, o surgimento de insetos após períodos chuvosos “não deve ser entendido como evento isolado ou estranho, mas como parte da lógica ecológica regional, profundamente ligada à irregularidade climática e à resiliência adaptativa das espécies”.

Os insetos têm aparecido mais no período da noite, muitos atraídos pela iluminação das ruas e imóveis.

Thiego Souza

Publicado por:

Thiego Souza

Jornalista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Imprensa Esportiva, Técnico em Rádio e TV.

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