Buscar mudanças externas sem olhar para dentro pode ser um caminho frustrante. É o que destaca a psicóloga serrinhense Rita Goulart, em entrevista ao Info Serrinha, ao abordar a relação entre autoconhecimento e amor próprio.
Segundo ela, muitas vezes projetamos nossos conflitos nos outros, sem perceber que a raiz dos desafios está dentro de nós. “Nosso ego se ilude, achando que está no controle de tudo, mas, na verdade, ele apenas confronta o ego do outro. Para se conhecer de verdade, é preciso dar o comando interno: ‘Eu quero me conhecer’. Esse é o primeiro passo para a transformação pessoal”, explica.

Rita apresenta um método baseado na metáfora da metamorfose, onde o processo de mudança acontece em sete fases. O autoconhecimento é apenas o começo, seguido pelo autodescobrimento e, em seguida, pela fase de negação – momento em que muitas pessoas resistem ao que descobriram sobre si mesmas. “Nessa etapa, é comum querer fugir, desistir da terapia ou se revoltar. Mas, depois, vem a aceitação. E aí a vida começa a dar sinais: relacionamentos se desestruturam, situações se repetem e, em algum momento, a pessoa precisa decidir se vai assumir o comando da própria história ou continuar no papel de vítima”, reflete.
No ambiente profissional, essa jornada interna também impacta a forma como nos comunicamos. “A comunicação é um desafio porque muitas pessoas estão desconectadas de si mesmas. O ego, que não é um vilão, apenas iludido, interfere nesse processo. Quando tomamos consciência disso, conseguimos fortalecer nosso amor próprio e nos comunicar de forma mais autêntica e não violenta”, destaca.

Além disso, a psicóloga aponta que a energia que emanamos reflete diretamente na nossa realidade. “O que o outro pensa sobre você diz mais sobre ele do que sobre você. A inveja, por exemplo, tem um poder destrutivo muito grande. Quem se ama de verdade se blinda contra essas energias negativas, porque está conectado com sua essência. Ter amor próprio e compaixão já é uma forma de proteção”, afirma Rita.
Para ela, o caminho do autoconhecimento não é fácil, mas é essencial. “Descascar a cebola do nosso eu é doloroso, mas necessário. Nem todos vão entender, nem todos vão aceitar. Mas quem se ama de verdade segue firme, sem precisar da validação externa. O que importa é a conexão consigo mesmo e com aquilo que realmente faz sentido para a própria vida”, finaliza.
Depois de um período em Salvador, a psicóloga retornou para Serrinha onde irá inaugurar, em breve, um centro terapêutico.
