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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026

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El Niño em Serrinha: especialista alerta para consequências e pede celeridade em ações preventivas

Projeções apontam para período de estiagem que pode se prolongar até o primeiro semestre de 2027.

El Niño em Serrinha: especialista alerta para consequências e pede celeridade em ações preventivas
Foto: Ilustração
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A possibilidade de um novo episódio de El Niño coloca Serrinha e municípios da região do Sisal em estado de atenção diante dos possíveis impactos sobre o abastecimento de água, saúde, agricultura e ocorrência de eventos climáticos extremos. O alerta foi feito pelo geógrafo Fernando Nunes, licenciado em Geografia, especialista em Gestão Pública, Dinâmica Territorial e Socioambiental e mestre em Estudos Territoriais, durante entrevista ao jornal Info Notícias, na Serrinha FM. Ao analisar dados e projeções disponíveis em estudos oficiais, ele defendeu que as administrações municipais iniciem imediatamente ações de prevenção.

Um dos principais pontos destacados pelo especialista foi a situação do abastecimento de água. Segundo Fernando, dados consultados no portal Adapta Brasil, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que reúne informações sobre riscos climáticos nos municípios brasileiros, já indicam uma redução na capacidade dos reservatórios que atendem Serrinha.

“Serrinha tem uma situação bastante complexa, porque primeiro, a gente já tem um impacto que é em relação a distribuição do serviço de água. Os nossos reservatórios, pelos relatórios que estão indicando, já estão operando com 15% a menos da sua capacidade em relação ao período do ano passado”, afirmou. Para ele, a possibilidade de agravamento do cenário exige esclarecimentos e planejamento. “Tecnicamente, a gente já vive uma espécie de racionamento, mesmo que não se admita isso. E o que nós vamos ter, pelos dados que estão sendo indicados, inclusive na nota técnica do próprio Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, é justamente a possibilidade de termos uma interrupção mais drástica e severa do serviço de água”, acrescentou.

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Na saúde, Fernando chamou atenção para os efeitos que um período prolongado de calor e baixa umidade pode provocar, principalmente entre crianças e idosos. Ele citou projeções do Adapta Brasil que apontam a possibilidade de aumento da vulnerabilidade do município a doenças relacionadas às condições climáticas e ressaltou que o calor extremo já vem produzindo consequências em diferentes regiões do país. “Quem são as categorias sociais que mais sofrem com esses problemas? Crianças e idosos. Idosos já começam a ter problemas somente por questão de hidratação. O Brasil já tem registrado mortes por causa do calor severo”, destacou.

A agricultura também aparece entre os setores que podem ser fortemente atingidos. Fernando afirmou que produtores da região já enfrentaram perdas em plantações iniciadas nos primeiros meses do ano e que uma eventual intensificação do fenômeno pode reduzir ainda mais a produção de alimentos básicos. “Nós já tivemos perdas com quem plantou no mês de março e praticamente perdeu a sua colheita. E agora em diante a situação tende a piorar ainda mais, porque a gente vai ter uma diminuição da produção de milho, de feijão, daqueles itens que são mais básicos, mais alimentares em nossa região”, explicou. Ele também relacionou a queda da produção a possíveis impactos nos preços dos alimentos. “A questão da distribuição de alimentação também vai ter consequência, porque isso pode gerar um aumento inflacionário”, alertou.

Outro fator de preocupação apontado durante a entrevista é o risco de incêndios e queimadas. Com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e períodos mais secos, Fernando considera que práticas tradicionais de preparação do solo podem ampliar a possibilidade de propagação do fogo. “A gente ainda tem uma prática muito comum e antiga, que é fazer a queima dos arbustos, para fazer uma preparação de solo. Hoje a gente já sabe que essa prática não é recomendada e, dadas as condições de um clima quente, seco, de uma umidade relativa do ar bastante baixa, uma queimada que acontece numa pequena propriedade pode se reproduzir para outras propriedades”, explicou. 

Ele também destacou a necessidade de campanhas educativas, e demonstrou preocupação com a duração do fenômeno. “A atuação mais comum, pelo menos desde quando começou a se fazer uma média histórica, em 1991, é de até sete meses, mais ou menos, do período de El Niño. Mas, para esse ano, está se prevendo um El Niño prevalecendo por nove meses. Então, além de ser um período prolongado, pela intensidade que ele se propõe, já é um grande fator”, afirmou. 

Ele ainda alertou para outro extremo climático: as chuvas intensas e os riscos de enchentes e inundações em áreas do município. Segundo Fernando, relatórios nacionais apontam Serrinha, Araci e Conceição do Coité entre os municípios que podem enfrentar esse tipo de ocorrência.

“A gente já está vendo isso com mais intensidade. Em localidades do bairro da Vaquejada, Princesa do Agreste, no Morro do Fundo, a gente vê uma concentração absurda de água de chuva, torrencial, naquele perímetro ali do Disep. Então, são localidades de deságua, e que vão concentrar situações que vão trazer transtorno para a população. A gente já está sentindo efeito disso nos últimos anos”, disse.

Diante dos possíveis impactos, Fernando Nunes defendeu que os municípios do Território do Sisal não esperem a confirmação dos efeitos mais severos para começar a agir. Ele pediu mobilização dos gestores e dos legislativos municipais, com reuniões de urgência e elaboração de estratégias específicas para enfrentar o cenário climático. “Eu faço o apelo para que os municípios aqui do Território do Sisal, em especial Serrinha, onde nós estamos, Barrocas e Araci, para que se mobilizem com urgência”, declarou. 

Ao final, reforçou a necessidade de planejamento permanente: “A gente precisa adotar um plano municipal de enfrentamento dessas mudanças climáticas. É para ontem, é urgente, e não é meramente um dado alarmista”.

Thiego Souza

Publicado por:

Thiego Souza

Jornalista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Imprensa Esportiva, Técnico em Rádio e TV.

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