O escritor Antônio Torres, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e ocupante da cadeira 23, concedeu entrevista exclusiva ao Info Serrinha durante a Feira Literária de Serrinha, e refletiu sobre os desafios da leitura na era digital. Reconhecido por sua obra voltada ao Brasil profundo e às relações entre campo e cidade, Torres fez um apelo direto aos jovens: “Aproveitem o celular para se informar sobre livros. A internet é um veículo poderoso na disseminação da leitura, se a gente quiser”.
Apesar da preocupação com o afastamento dos jovens dos livros, causado pelo excesso de telas, o autor de Essa Terra e Meu Querido Canibal vê na tecnologia uma oportunidade. “Bate lá http://www.antoniotorres.com.br, vai encontrar muita coisa sobre cada um dos meus livros. E assim sobre qualquer autor. Jorge Amado, por exemplo. Coloca o nome dele e você vai ver quanta coisa importante tem”, afirmou, ao destacar que a web pode despertar o interesse pela leitura e facilitar o acesso à obra de grandes autores.
Durante a entrevista, Torres também falou sobre seu romance mais recente, Querida Cidade, que levou 12 anos para ser escrito. “É considerado, de longe, o meu melhor romance”, disse. A obra trata do sonho do homem do campo em viver na cidade, uma temática que o escritor carrega desde a infância e que se relaciona com uma antiga música popular brasileira: “Quem nasce na roça tem sempre a ilusão de viver na cidade”.

O autor reforçou a importância de a literatura continuar dialogando com o tempo presente. Para ele, a internet não é inimiga da leitura, mas pode ser uma aliada fundamental para formar novos leitores, desde que usada com esse propósito. “Se a gente quiser, a gente encontra. Tem que querer”, pontuou.
Ao final da conversa, Torres deixou uma mensagem clara e direta para os leitores e participantes da feira: “Ler é criar. Criamos”.
A cadeira 23, atualmente ocupada por Antônio Torres, já foi ocupada por escritores como Machado de Assis, Lafayette Rodrigues Pereira, Alfredo Pujol, Otávio Mangabeira, Jorge Amado, Zélia Gattai, e Luiz Paulo Horta.
