Ter mais de 100 mil votos não foi suficiente para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados para quatro candidatos na Bahia. Jayminho Vieira Lima (MDB), Zé Neto (PT), Arthur Maia (União) e Bacelar (PV) terminaram a eleição como suplentes, mesmo com votações que, individualmente, superaram a marca de seis dígitos.
Jayminho foi o mais votado entre os quatro, com 115.292 votos. Na sequência aparecem Zé Neto, com 104.550, Arthur Maia, com 103.336, e Bacelar, com 102.703 votos. A Bahia teve 39 vagas em disputa para deputado federal.
O motivo está na forma como funciona a eleição para deputado federal. Diferentemente da disputa para governador ou senador, por exemplo, as vagas não são entregues simplesmente aos 39 candidatos mais votados do estado.
A eleição para deputado federal utiliza o sistema proporcional. Primeiro, os votos são utilizados para definir quantas cadeiras cada partido ou federação terá direito. Depois, essas vagas são preenchidas pelos candidatos que tiveram melhor desempenho dentro de cada grupo, seguindo as regras eleitorais.
É justamente aí que está a diferença. O voto recebido pelo candidato também ajuda o partido ou a federação a conquistar cadeiras. Assim, um político pode ter mais votos que outro candidato eleito, mas ficar de fora porque sua legenda não conquistou vagas suficientes.
Um exemplo ajuda a entender. Jayminho Vieira Lima recebeu 115.292 votos, mas o MDB conquistou apenas uma cadeira na Bahia, ocupada por Ricardo Maia, que teve 147.981 votos.
O mesmo princípio explica os casos de Zé Neto, Arthur Maia e Bacelar. Mesmo ultrapassando os 100 mil votos, eles não ficaram entre os candidatos que ocuparam as vagas conquistadas por seus respectivos partidos ou federações.
Em resumo: na eleição proporcional, não basta ser muito votado individualmente. É preciso que o partido ou a federação também conquiste uma cadeira. É por isso que um candidato com mais de 100 mil votos pode terminar como suplente, enquanto outro, com uma votação menor, pode ser eleito.
