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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026

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Artigo: como o eleitor deve interpretar pesquisas que apontam para direções opostas?

Duas pesquisas, dois resultados diferentes. Em quem acreditar?

Artigo: como o eleitor deve interpretar pesquisas que apontam para direções opostas?
Foto: Reprodução
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Nesta terça-feira, 14 de abril, dois institutos de pesquisa divulgaram resultados para o mesmo cenário de segundo turno na eleição presidencial, e chegaram a conclusões contrárias. A CNT/MDA apontou vitória de Lula por 44,9% a 40,2%. A Futura/Apex inverteu o placar: Flávio Bolsonaro venceria por 48% a 42,6%. Mesma data, mesmo cenário hipotético, resultado oposto.

A primeira tentação é culpar a margem de erro. Não resolve: ambas declaram ±2,2 pontos percentuais e 95% de confiança, com amostras de cerca de 2.000 pessoas. O problema está na distância entre as pesquisas: Flávio Bolsonaro aparece com 40,2% em uma e 48% na outra, uma diferença de 7,8 pontos que não se explica por aleatoriedade estatística, já Lula tem números dentro da margem: 44,9% em uma, 42,6% na outra.

A principal suspeita recai sobre o método de coleta. A CNT/MDA fez entrevistas presenciais, que tendem a captar mais eleitores sem celular, mais idosos e de menor renda, perfil historicamente mais favorável ao PT. A Futura/Apex usou telefone assistido por computador, método que sobrerrepresenta quem atende ligações de números desconhecidos, um perfil cada vez mais restrito e diferente da média do eleitorado.

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Além do método, entram em jogo a forma como cada instituto pondera sua amostra por região, idade e renda, e como trata os eleitores indecisos. Pequenas escolhas metodológicas nesses dois pontos são capazes de mover vários pontos percentuais, e, em uma disputa acirrada, inverter o resultado.

Diante de pesquisas contraditórias, o eleitor deve checar alguns critérios básicos: se o levantamento está registrado no TSE (obrigatório por lei), quem financiou a pesquisa, qual o histórico de acertos do instituto em eleições anteriores e como a pergunta foi formulada, pois o enunciado influencia diretamente a resposta.

O maior risco não é a divergência em si, que em alguma medida é estatisticamente normal, mas o uso político dela. Partidos interessados costumam amplificar a pesquisa que favorece seu candidato e desacreditar a outra, aumentando a confusão, e, consequentemente, a desconfiança do eleitor comum.

A recomendação mais segura é nunca tomar um único levantamento como verdade absoluta. Acompanhar a tendência de várias pesquisas ao longo do tempo é muito mais revelador do que qualquer instantâneo isolado. Uma pesquisa conta uma história. Várias, ao longo de semanas, mostram a realidade.

Por fim, vale lembrar: pesquisa eleitoral não é previsão, é fotografia. Ela registra a intenção de voto num determinado momento, com determinada metodologia. Quando dois fotógrafos retratam o mesmo cenário e as fotos se contradizem, a questão não é qual imagem é "certa", é entender por que as câmeras enxergaram diferente.

Thiego Souza

Publicado por:

Thiego Souza

Jornalista, Pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Imprensa Esportiva, Técnico em Rádio e TV.

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