Em entrevista ao podcast Papo Reto, realizada na última quinta-feira, 31, o coronel PM Macedo Júnior, comandante do Comando de Policiamento da Região Nordeste da Bahia (CPR-NE), fez duras críticas à cultura de permissividade em relação ao uso irregular de motocicletas nas cidades da região Sisaleira.
O oficial, que já comandou o 16º Batalhão da Polícia Militar em Serrinha, defendeu a atuação firme das forças de segurança na fiscalização e combate a motos roubadas, adulteradas ou conduzidas por pessoas sem habilitação.
Foto: TV Serrinha Podcast
O coronel relembrou algumas ações feitas para reduzir os acidentes ou proteger os motociclistas enquanto esteve à frente do 16º BPM. “Comecei a combater moto roubada, moto com chassi espinado, moto de quem empina com a rabeta arranhada, moto sem placa. Quando comecei a combater, alguns políticos me encostaram. Ligaram? Ligaram. Mas eu disse: vou cumprir a lei. E cumpri”, afirmou o coronel, revelando resistência por parte de lideranças locais frente à atuação da PM.
Macedo Júnior destacou que o endurecimento das ações teve impacto direto na redução de acidentes e internações hospitalares na região. “Reduzimos de maneira considerável a quantidade de internações aqui na região do Sisal. E também a quantidade de regulações”, disse, ao alertar que muitos dos leitos ocupados por vítimas de acidentes com motos poderiam estar disponíveis para pacientes com outras enfermidades, como vítimas de AVC.
A cultura de não usar capacete e a entrega de veículos a menores de idade também foram alvos da crítica do comandante. “Ninguém usava capacete. Em algumas cidades, já mandei os comandantes fazerem blitz educativas. O problema é cultural. Não é agradável dar um veículo a um jovem ou adolescente. Se o pai compra uma moto para um filho menor, está cometendo um crime. Depois, quando o menor cai, morre ou fica internado, a culpa é do pai”, afirmou.
Foto: Águia Resgate
O comandante ainda reforçou que, além da atuação repressiva, é preciso um trabalho conjunto com a sociedade e os gestores públicos para mudar o cenário. Ele defendeu a importância da lei ser cumprida, independentemente de pressões políticas ou conveniências locais.
