Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) resultou, nesta quarta-feira (23), no afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e de outros cinco servidores. A investigação revelou um esquema que teria fraudado cerca de R$ 6,3 bilhões por meio de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.
O golpe consistia na cobrança de supostos serviços associativos — como planos de saúde, seguros e auxílios-funeral — sem o consentimento dos segurados. As cobranças eram realizadas por entidades conveniadas ao INSS, e muitos aposentados só perceberam os débitos ao consultarem seus contracheques. Em vários casos, foi necessário acionar a Justiça para suspender os descontos.
A apuração aponta que o esquema teve início durante o governo anterior e continuou nos primeiros meses da atual gestão. A extensão e a continuidade da fraude levantam questionamentos sobre a fragilidade dos mecanismos de controle e fiscalização dentro do Instituto.
A operação mobilizou 700 agentes da PF e 80 servidores da CGU, com o cumprimento de 211 mandados de busca e apreensão, seis mandados de prisão temporária e o sequestro de bens que somam mais de R$ 1 bilhão.
Em nota, o Ministério da Previdência afirmou que está colaborando com as investigações e revisará os convênios firmados com entidades associativas.
