A Queima de Judas, realizada no Sábado de Aleluia, é uma das manifestações mais curiosas do período da Semana Santa no Brasil. A prática, que reúne moradores em ruas e praças, consiste em incendiar um boneco que simboliza Judas Iscariotes, personagem conhecido por trair Jesus Cristo, em um ritual que mistura religião e cultura popular.
A origem da tradição está ligada à influência europeia, trazida ainda no período colonial. Inicialmente, o ato tinha um significado estritamente religioso, representando uma espécie de punição simbólica ao traidor descrito na Bíblia.

Com o passar do tempo, a Queima de Judas ganhou novos significados e passou a incorporar elementos do cotidiano. Em muitas cidades, o boneco deixou de representar apenas a figura bíblica e passou a simbolizar políticos, figuras públicas ou até situações que causam indignação, transformando o momento em uma forma de protesto e crítica social.
Outro aspecto que mantém a tradição viva é o seu caráter simbólico de renovação. Para muitos, o ato de queimar o boneco representa a liberação de sentimentos negativos, como revolta e frustrações, funcionando como uma espécie de “recomeço” coletivo.
Apesar de não fazer parte dos rituais oficiais da Igreja, a prática se consolidou como um costume popular que mobiliza comunidades e reforça laços culturais.
