O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para analisar se poderia ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes a partir de informações reunidas pela Polícia Federal no caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi convocada em meio à crise provocada pela divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e que citam Moraes.
A sessão começou com a discussão sobre a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes por causa das informações reunidas pela Polícia Federal. O relatório divulgado pelo ministro André Mendonça reúne 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025. Em uma delas, aparece a referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o antigo Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Moraes negou qualquer irregularidade e classificou o relatório como ilegal e inconstitucional.
O que estava sendo analisado, porém, não era uma condenação ou absolvição de Moraes. O STF precisava primeiro definir questões processuais e decidir como os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam tramitar.
A discussão ganhou outro rumo quando o ministro Gilmar Mendes defendeu que os dois casos fossem analisados conjuntamente. A proposta recebeu os votos de Gilmar, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Já Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram para que os processos permanecessem separados. Com isso, o placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela separação dos casos.
Durante a sessão, houve discussões entre os ministros. Alexandre de Moraes fez acusações contra André Mendonça relacionadas à condução de procedimentos da Polícia Federal, enquanto Mendonça negou as acusações. Gilmar Mendes e Mendonça também protagonizaram um bate-boca durante os debates. O clima levou a novos questionamentos sobre a forma como o caso estava sendo conduzido.
Flávio Dino, que havia manifestado posição favorável à reunião dos casos, pediu vista do processo antes da conclusão da votação. Com isso, a análise foi suspensa e o voto de Dino não entrou no placar provisório. O pedido de vista significa que o ministro terá tempo para analisar os documentos antes de devolver o processo para julgamento.
A origem da crise está em um relatório que veio a público em 1º de setembro, depois que André Mendonça retirou o sigilo do documento. A Procuradoria-Geral da República pediu que o relatório fosse anulado, alegando problemas na forma como a investigação avançou sobre um ministro do próprio STF. Em reação, Moraes apresentou outro documento e pediu investigação contra Mendonça.
Por enquanto, portanto, o STF não decidiu se Alexandre de Moraes será investigado. Também não foi definida de forma definitiva a maneira como os procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça serão julgados. A análise ficou suspensa após o pedido de vista de Flávio Dino.
O caso envolvendo o pedido de investigação contra André Mendonça estava previsto para ser analisado pelo STF em 23 de setembro. No entanto, como Dino pediu vista no julgamento desta terça-feira, ainda não há uma definição sobre quando a discussão interrompida será retomada.
