A professora Juliana Araújo Santos anunciou sua saída da direção do Colégio Estadual de Tempo Integral de Serrinha, função que exercia há cerca de três meses. A decisão foi comunicada por meio de uma carta aberta direcionada a professores, funcionários e à comunidade escolar da unidade.
Na mensagem, Juliana destacou a experiência vivida durante o período em que esteve à frente da instituição e agradeceu o apoio da equipe escolar. “Construímos cotidianos pautados pelo diálogo e pela construção coletiva de uma educação pública, democrática e de qualidade”, escreveu.
Ela também agradeceu ao governador Jerônimo Rodrigues, à ex-secretária estadual de Educação, Rowenna Brito, e ao amigo e diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, pela confiança depositada em seu trabalho.
Ao comentar os motivos da saída, a professora fez críticas ao que classificou como estruturas de poder misóginas presentes no município. “É preciso ser franca: o patriarcado não dorme e em Serrinha ele tem reinado”, afirmou em um dos trechos da carta. Segundo ela, “a insistência na manutenção de estruturas de poder misóginas, que resistem à equidade, foi o motor que mobilizou a minha saída neste momento”.
Apesar do desligamento da gestão escolar, Juliana reforçou que seguirá atuando em defesa da educação pública e das pautas sociais que marcaram sua trajetória profissional. “Minha saída da gestão não é um afastamento da luta. Pelo contrário, estarei em outros espaços, mas sempre nas trincheiras”, declarou.
A professora encerrou a carta afirmando que continuará em movimento na defesa da transformação social através da educação. “Seguimos firmes, porque a educação é um movimento que não pode ser interrompido”, concluiu.
Confira a íntegra da carta divulgada pela professora:
“Às professoras, aos professores e aos funcionários do Colégio Estadual de Tempo Integral de Serrinha,
Escrevo esta mensagem para comunicar o encerramento do meu ciclo à frente da gestão desta unidade escolar. No período em que estivemos juntos, construímos cotidianos pautados pelo diálogo e pela construção coletiva de uma educação pública, democrática e de qualidade.
Agradeço a cada um de vocês pela dedicação cotidiana, ao governador Jerônimo Rodrigues e a ex secretária de educação Rowena Brito pela confiança depositada no meu trabalho. A escola é um organismo vivo e, em cada sala de aula, secretaria ou espaço de convivência, vi o empenho necessário para que nossos estudantes pudessem sonhar e se emancipar. Meu compromisso com a educação pública permanece inabalável; ela é, e sempre será, a minha principal pauta de vida.
Minha trajetória, tanto na docência quanto na gestão, sempre teve como horizonte o fortalecimento de pautas interseccionais, visando o combate direto às desigualdades de gênero, classe e raça. No entanto, é preciso ser franca: o patriarcado não dorme e em Serrinha ele tem reinado. A insistência na manutenção de estruturas de poder misóginas, que resistem à equidade foi, infelizmente, o motor que mobilizou a minha saída neste momento.
Mas, como aprendemos na nossa caminhada, tudo é ciclo: é começo, meio e, invariavelmente, um novo começo. Aprendi que, quando uma mulher negra se movimenta, toda uma estrutura se movimenta junto com ela — e eu seguirei sempre em movimento.
Minha saída da gestão não é um afastamento da luta. Pelo contrário, estarei em outros espaços, mas sempre nas trincheiras, defendendo a educação como ferramenta fundamental para a transformação da nossa sociedade.
Seguimos firmes, porque a educação é um movimento que não pode ser interrompido.
Com respeito e combatividade,
Juliana Araújo Santos”
