Uma fiscalização surpresa realizada pelo prefeito de Barreiros, em Pernambuco, Carlinhos da Pedreira, na noite de quarta-feira (4), provocou repercussão após imagens da visita ao Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque circularem nas redes sociais. A ação teria sido motivada por denúncias de demora no atendimento e possível ausência de médicos durante o plantão.
Durante a vistoria, o prefeito percorreu as dependências da unidade e encontrou pacientes aguardando atendimento na recepção. Ao verificar as salas e procurar os profissionais escalados, chegou a um ambiente reservado, identificado como alojamento médico, onde estavam dois plantonistas, um homem e uma mulher. A porta estava fechada, e o gestor precisou bater para que fosse aberta.

A partir daí, a fiscalização terminou em discussão. Nas imagens, Carlinhos aparece exaltado, acusando os profissionais de estarem dormindo e “namorando” enquanto pacientes aguardavam assistência. Em seguida, determina que os dois deixem o hospital. As gravações, que ganharam ampla circulação na internet, não permitem confirmar as acusações feitas pelo prefeito.
Após o episódio, a Prefeitura anunciou o rompimento do contrato de gestão com a Associação Beneficente João Paulo II, responsável pela administração do hospital. A gestão municipal informou que reassumirá diretamente o controle administrativo, operacional e assistencial da unidade, por meio da Secretaria de Saúde, até a conclusão de um novo processo licitatório. Segundo o comunicado, a medida considera a avaliação da execução contratual e tem como prioridade garantir a continuidade dos atendimentos e a qualidade da assistência.
A abordagem também provocou manifestações de entidades representativas da categoria médica. O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) divulgou uma nota de repúdio à exposição pública dos profissionais e afirmou que eventuais questionamentos sobre o atendimento, o cumprimento das escalas e o funcionamento do hospital devem ser apurados pelos meios institucionais e legais.
Na manifestação, o conselho ressaltou que a fiscalização dos serviços públicos de saúde não dá aos gestores o direito de constranger profissionais ou submetê-los ao julgamento público. A entidade também defendeu o respeito à honra, à imagem e à dignidade dos médicos, além da garantia do devido processo legal e do direito à ampla defesa.
