No xadrez da política, quem antecipa movimentos costuma sair na frente, e, muitas vezes, vencer a partida. A formação de chapas majoritárias é um desses lances decisivos, capaz de influenciar alianças, fortalecer narrativas e consolidar candidaturas antes mesmo do início oficial da campanha.
Na Bahia, nas eleições de 2022, esse fator ficou evidente. Ainda em março daquele ano, foi anunciado que Geraldo Júnior (MDB) seria o vice na chapa encabeçada por Jerônimo Rodrigues, o que ocorreu 30/03. Pouco mais de cinco meses depois, em 04/08, já na reta final, ACM Neto confirmava a empresária Ana Coelho como sua candidata a vice, deixando de lado o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, que era a opção da maioria do grupo. O resultado das urnas mostrou que sair na frente ajuda a fazer diferença, e saber escolher também.
Agora, no cenário de 2026, os papéis parecem invertidos. Enquanto a base governista sinaliza que a definição da chapa deve acontecer apenas em agosto, como indicam declarações recentes, a oposição já começa a se movimentar com mais rapidez e clareza estratégica.
O movimento mais emblemático veio com a confirmação de que Zé Cocá, prefeito de Jequié e ex-presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB-BA) aceitou o convite de ACM Neto para compor como vice. Mais do que antecipação, a escolha também indica um reposicionamento estratégico: um olhar mais atento para o interior do estado, que em outros momentos acabou sendo deixado em segundo plano, mas que se mostrou decisivo nas últimas eleições.
Ter sob influência os maiores colégios eleitorais é, sem dúvida, relevante, mas é no fortalecimento de alianças nas cidades menores que muitas disputas são definidas.
O contraste com 2022 é inevitável. Naquele momento, a oposição demorou a fechar sua composição e acabou correndo contra o tempo. Hoje, ao que tudo indica, o grupo aprendeu com os erros e decidiu mudar a estratégia, priorizando a antecipação como trunfo eleitoral.
Por outro lado, o Governo parece adotar um caminho oposto, deixando para definir sua chapa em um momento mais avançado. A dúvida que fica é se essa escolha representa confiança ou um risco em um cenário cada vez mais competitivo.
No fim das contas, a política segue a lógica dos jogos: quem lê melhor o tempo e antecipa os movimentos do adversário costuma sair na frente. E, pelo menos neste início de corrida para 2026, a oposição dá sinais de que entendeu bem essa regra.
